terça-feira, 13 de outubro de 2015

I FESTIVAL DA MATOLA - LITERATAS 2015 - MOÇAMBIQUE


Av. 25 de Setembro, nº 1728, Caixa Postal nº 1167.Maputo
(Centro Cultural Brasil-Moçambique)
Telefone:*+258 82 27 17 645 e +258 84 57 78 511
*Blog:* kuphaluxa.blogspot.com


Parabenizamos o I Festival Literário da Matola a realizar-se em 23 de outubro em Moçambique organizado pelo Movimento Literário Kuphaluxa.

Ao mesmo tempo agradecemos o convite e informamos a impossibilidade de participação nesse momento.

Desejamos muito sucesso à organização e participantes.

Aqui da cidade de Natal no estado do Rio Grande do Norte, Brasil enviamos o abraço poético dos irmãos potiguares


Deuses do Potengi

 Jania Souza

No sol do entardecer, Tupã
rubi cetro indomável
galopa a larga saia azul angelical
e doura o irrequieto berço  Potiguar.

Pássaros em sinfonia cortejam a noite
tímida menina vestida em nostalgia.

Cantos de amor à inquieta e bela Jaci
ciciam do sepulcro adormecido
sob capim e claras chananas
(incertas malvas ou talvez açucenas)
a recobrir os morros vermelhos
e as alvas dunas de grãos de areia
- corcundas no berço da imensidão do rio –

são sábias cabaças envelhecidas
guardiãs das remotas tradições esquecidas
esconderijos de  antiga  alquimia
espelhos do sortilégio da cabala judia.

Frutos suculentos e afrodisíacos
como cajus, mangas, mangabas, pitangas
pétalas da flor da maracujina
dão a pitada da sedução
nas curvilíneas e sedosas formas
das sereias do mágico Potengi.

Manancial dos siris, goiamuns, querubins
heroicamente defendido pelos corpos nus
cobertos por jenipapo e urucu
dos belos deuses pagãos, dionísicos
a infestar a verde mata Atlântica.

Entre mangues e abundância de pau-brasil
flutuam gazelas potiguares feito Cupido.
Vencem no passo da ema tapuia
as distâncias que separam as tribos
sempre obedientes a Potiguaçu.

Cajueiros, goiabeiras, sapotizeiros.
Penas lustrosas, multicores:
dos papagaios, das araras, bem-te-vi
escondidos nos braços da jurema
ataviam arcos, flechas, tacapes
colares, pulsos, tornozelos e orelhas
dos bravos e honrados  gentios.

Lindas cunhans com seus vistosos
lisos, lustrosos, negros cabelos
pura pluma da graúna
com cheiro de campo, jasmim e alecrim
reluzem como a madrugada
ao unir seus corações a bravos guerreiros
em danças e cantos felizes na Aldeia Velha
em torno da grande fogueira
onde camarões em profusão cozinham
num grande caldeirão de argila
com sal e cheiro verde colhidos do rio
para saciar a fome de alimento

pois de cultura a alma está cheia!

Fonte:  Fórum Íntimo, poemas, ed. 2009, Editora Alcance/RS



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